domingo, dezembro 12, 2010

Conceito de Família

Nós três na cama
Almas afins
Assim dá sentido à vida
É bem reconfortante

Horas de sono; assim a gente sabe fazer
E durante essa estadia
Abrimos um dos olhos
Verificamos se está tudo bem
Se o amor continua por ali

Logo acordamos
Conversamos
O domingo começa a fazer sentido
E por mais que não há um certo apoio
E nem de saberem do por que que a estrela que caiu do céu não é admirada por seu brilho
Dá um certo alívio, pois o sentimento de conspiração contra si mesmo, adormece por alguns instantes

José Teles
12/12/2010

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Cadê teu olhar?

Tu me fez cantar
Tu me fez crescer ao me elogiar
De repente o céu fica cinza
Fico triste sem o brilho do teu olhar

A vida fica sem sabor por não ter teu apreço
Nem há mais canções de um gosto peculiar

Me enganaste?
Era tudo mentira?

Festas, risos, caneta, papel e um violão
Sentados no chão
Só o que lembro
De uma época livre sem muitos grilos

José Teles
10/12/2010

terça-feira, novembro 23, 2010

Mix

Este blog virou uma espécie de analista de plantão.
Um alvo para meus tiros de insatisfação, recanto de um bosque, local de ensaios, um esconderijo.

Quem passou por aqui, deve ter percebido que sou um cara negativo, meio arisco, mas posso não ser nada disso do que pensas de mim e devido as minhas concepções que escrevi acima, descobri que estava usando ele unicamente para bater; eis o meu saco de boxe:

Eu não sou completamente EU, e nem sou o EU incompleto.
Agora imagine um pacote variado ou um caminhão de mudanças; algo heterogêneo, ou senão um cara de terno com um nariz de palhaço.

Ninguém é algo certo, ou razão por completo e nem emoção por completo. Você pode ser o oposto do que acredita ser e não acreditar ser o que queria ser. Está intrínseco; afinal; nós não somos o que somos e nem somos o que tentamos ser, pois somos a fórmula que vai se acumulando através de uma função matemática de resultados, e conforme estes, vamos nos adaptar, revoltar ou aceitar.

"Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos." - Nietzsche


José Teles
23/11/2010

domingo, outubro 24, 2010

A super máquina voadora

Uma visão desce da atmosfera, uma super máquina voadora, passa pela cidade de São Paulo, segue-se ao interior de Agudos, e como se tivesse vontade própria, pára e visualiza uma mansão branca espelhada; desce, desce, acha-se em uma sala, em uma mesa de jantar, observa as pessoas falantes, inquietas, e no meio delas, percebe-se uma quieta, imprópria, pálida e sombria, e como se desmaterializasse em mil peças, entra-se na mente desse ser e começa a interpretar seus pensamentos e as circunstâncias.

De Paulo vem a estranheza
Dos entorpecidos vem o trauma esquecido
Estão cegos, a ambição virou assunto na mesa de jantar

O ambiente era inabitável, agora é uma parceria de urubus no quintal
Seres sem afinidades alterando-se para encaixar em um suposto modelo de comportamento
De cima dá para ver ele os observando, mas eles não veem
Os observados nunca percebem o calor do olhar clínico que o sol os trazem queimando a pele

Paulo reflete, e vê que sua família não é tão ruim assim
Lembra sempre o que sua mãe repetia para ele; Filho, não veja a vida de outrem como melhor que a sua, pois cada um veio para este mundo com seu merecimento, sua afinidades e nem tudo que você vê, seja a realidade qual for, logo as máscaras das pessoas caem.

Paulo olha para Margarete, que é a funcionária da limpeza da casa, reflete, pressente de um olhar cansado, cabisbaixo, ela não era nem notada durante aqueles assuntos, ninguém prestava atenção, e nem ela neles, e Paulo enfeitiçado por aquele insight é perguntado por Laura se não estava mais com fome, se a comida não estava boa? Ele, sem jeito, responde educadamente, dizendo que estava uma delícia. Paulo era visto como um sujeito aéreo, esquisito.

Paulo comia, e a comida não tinha gosto, a vibração daquele local não estava boa, e assim, incomodado, não sentia o gosto da comida. Após o devotamento pelo alimento, todos desconversam e vão para seus respectivos lugares, tudo se tornou mais desinteressante. A super máquina voadora, sai da mente de Paulo, e como estivesse procurando outro lar para analisar, junta suas peças novamente e sai voando por este planeta.

Texto de José Teles
24/10/2010

quinta-feira, julho 29, 2010

Ode aos mortos

Escassez de pensamentos bons
A angustia pula de paraquedas no meu peito
Fico a espera de acontecimentos ruins
O mundo me amedontrou com seus corriqueiros problemas

O que sai de mim é ruim; encontra-se com o que tem de ruim do lado de fora
Sonhos perdidos com amigos e amigos futuros; que hão de chegar
O ar que me seca, traz a seca da minha canção
Oh canção perdida, oh perda
Ríamos tão alto, detalhando um e outro
Dávamos gargalhada daquilo que ele tinha de melhor
Amizade; sentimento mais fiel
Disputas, discussões sadias; grande ansiedade para mostrar a mais nova criatividade
O que vem de ruim do lado de fora; encontra-se com o que tenho de ruim, aqui dentro

Aqui!, dentro; virou uma caverna de tão escuro
A saída foi fechada às pressas
E os fantasmas nem sequer me deixam aproximar

O acordar traz a morte
O deitar traz a vida
As ações desintegram-se com as lembranças

A cabeça pesa
O corpo pesa

Novamente suplico
E grito: Amor, amor e amor

José Teles
29/07/2010