quinta-feira, julho 29, 2010

Ode aos mortos

Escassez de pensamentos bons
A angustia pula de paraquedas no meu peito
Fico a espera de acontecimentos ruins
O mundo me amedontrou com seus corriqueiros problemas

O que sai de mim é ruim; encontra-se com o que tem de ruim do lado de fora
Sonhos perdidos com amigos e amigos futuros; que hão de chegar
O ar que me seca, traz a seca da minha canção
Oh canção perdida, oh perda
Ríamos tão alto, detalhando um e outro
Dávamos gargalhada daquilo que ele tinha de melhor
Amizade; sentimento mais fiel
Disputas, discussões sadias; grande ansiedade para mostrar a mais nova criatividade
O que vem de ruim do lado de fora; encontra-se com o que tenho de ruim, aqui dentro

Aqui!, dentro; virou uma caverna de tão escuro
A saída foi fechada às pressas
E os fantasmas nem sequer me deixam aproximar

O acordar traz a morte
O deitar traz a vida
As ações desintegram-se com as lembranças

A cabeça pesa
O corpo pesa

Novamente suplico
E grito: Amor, amor e amor

José Teles
29/07/2010

sábado, junho 26, 2010

Carregando Pedras

Não esqueço nunca de observar a vida, e querer mais e mais aprender o que ela nos mostra.
A vida é o ar que dá a vida, são as cores que diferem nossos olhos e deixa tudo mais diferente.
Esse mar, existe através da creação, e é o que tentamos sempre buscar, não? Criar também, mas crear é melhor.

Oh grande vida, meditar dói, como pensar também dói; saímos da zona de conforto, do estado vegetativo, e começamos a ver que somos pequenas criaturas que não sabemos nada, e nada mesmo. E nossa única oportunidade é ler, buscar a verdade; e muitos podem até rir sobre essa verdade, como esses filósofos sofistas por exemplo, mas não temo, pois existe sim a verdade e um dia vamos entendê-la.

A vida é um segundo, um sopro; é a poeira que é afastada através do vento.
Vida; imagem e semelhança, sábia, morosa para nós, rápida para o cosmo.
Maravilha do tempo.
Só com o barulho da chuva sentimos a paciência, essa calmaria maravilhosa e entendemos um pouco o que é a vida.

Nesse período embrionário de mudanças, nunca me senti tão calmo, tão mórbido.
Carrego as pedras daquele que carrega-as por mim.

José Teles.
26/06/2010.

sexta-feira, abril 16, 2010

Juventude velha

Quarto escuro
Vejo-me no fundo
Labirinto sujo
Um verde escuso

Desejo de lapidar
Tirar, plantas trepadeiras
Poder escalar
Querer o que não quis

Juventude velha
Velha juventude

Quem não pôde
Agora pode
O poder se foi
O que restou?

Metáforas desaforadas
Palavras arrancadas
Poder adquirido
Talento despercebido

Juventude velha
Velha juventude

obs: Imagem retirada do blog http://hohocantada.blogspot.com/

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Reação de observações

Na era da imagem
Onde gente troca das partes do corpo como trocam de roupa
Lembro do livro "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley

A ignorância impregnou
Burrice virou comodidade
E a mídia só quer escravizar

As pessoas não tem personalidade
E a cada nova modalidade de estilo ou pensamento
Elas seguem e se dizem "ecléticas"
Hoje em dia, o termo "eclético" virou sinônimo de falta de personalidade, brio, berço e luz própria

Um mundo real que chega a ser irreal de tantas mentiras
Temos veículos especializados em hipnotizar as pessoas
E todo mundo só quer comprar, usar, engolir e vomitar

A mudança da aparência virou algo essencial
Esquecem de sua consciência e do autoconhecimento
Não querem ler
Entender
E sim
Usufruir
Gastar
Trocar

E assim, pararam de enxergar e pensar
Só reclamam quando não podem abusar da gula
Da luxúria
Do materialismo

Viraram animais que só sentem a merda chegando
Se a engolirem

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Desafios

Já não gasto tanto quanto gasto
As coisas esquisitas foram meio esquecidas
Quase não sobra tempo
Às vezes acho que estou desconhecendo-me
Ou então, estou tão rastejando atrás da minha própria sombra que nem consigo rastrear as ondas frenéticas

Gosto da vida meio arriscada
Do desafio
Do unknown

Torna-se uma obrigação quase esquecida de uma coisa que você desejou faz tanto tempo
E esse desejo se torna tão simbiótico
Que é normal você se contradizer
E seu subconsciente pode te passar uma rasteira
Levando há alguns tipos de fracassos

Por isso é importante não sucumbir

Depois da vitória
É bom
Uma subida ao cume
E depois de minutos, surge um novo desafio

E devido ao gasto pelo não gasto
É que prefiro gastar o que já vem acumulando faz tempo
Para surgir novos ares
Novas pessoas do signo de áries
Para admirar
Familiarizar-se

Me renovo em me renovar-me

José Teles