segunda-feira, setembro 08, 2014

Vis filosofias dos homens

Meu Deus
O que aconteceu com "eu"?
Onde estou?
Onde me perdi?
Por onde passei...

Me tornei
Atordoado
Som condição pra jogar o dado
Esperando um vento
Direcionar a vela do meu barco

Me posicionei no lugar mais seguro
Bem longe da mira da flecha
Fora do heliponto, sem querer centro algum
Nem sou lembrado
E nem incomodado

Estou na corrida da felicidade
Cheio de resignações
E misturando
Vis filosofias e utopias humanísticas
Com misticismos e dogmas criados por mim mesmo

08/09











domingo, agosto 11, 2013

Vida vegetal e animal




O que esteve em seu ventre
É a vida que alegra
E que ceifa

Chegue
      Acompanhe
    Deite
 Abrace
E
   Tente
          Sentir
       Esta
   Dor
Metamorfose



José Teles Andrade
29/03/2011

quarta-feira, agosto 01, 2012

Damião, o Leproso.




Após ter lido o livro "Damião, o Leproso" escrito pelo australiano John Farrow; conhecido como roteirista hollywoodiano, diretor de filmes e produtor; fui contemplado por uma imensa onda de um sentimento sincero do que é a vida. Faz muito tempo que não sinto essas coisas vindas de algo relacionado a arte em geral e principalmente livros. Foi através dessa biografia que voltei a ter uma admiração pela vida, pois através de obras como essa que consigo visualizar o propósito de viver. Passei admirar muito o seu dom de escrita com características de um verdadeiro contador de histórias, daqueles que ficam perto de uma fogueira e que o faz ser transportado e penetrado em um mundo cheio de cores e emoções. Foi exatamente o que senti ao ler esta biografia, contada com tanta perspicácia fazendo-me chorar, emocionar e amar mais ainda esse abnegado apóstolo, missionário e bem aventurado Damião José de Veuster.

A seguir escrevo com minhas palavras as partes que ficaram grafadas em minha alma, e com outras que se quer ousei escrever por mim mesmo, portanto, retirei do livro, pois fez muito mais sentido colocá-las aqui, que foram tão nobremente escritas pelo meu colega australiano.

É importante para quem estiver lendo, saber da história verídica de Damião, pois se não conhecer, sugiro que leia antes um pouco de sua biografia para posteriormente adentrar novamente nesse post e conhecer um pouco mais da vida heróica de José de Veuster.

Segue o relato de sua chegada a ilha de Molokai, que é uma das ilhas do arquipélago havaino.



Antes do missionário Damião chegar a ilha não havia relatos de como era a vida e a situação dos leprosos que habitavam-na. O que se houvia falar que era extremamente necessário alguém que pudesse colocar ordem a um local sem lei e onde se praticavam as mais terríveis iniquidades. No livro, o escritor relata que após o Padre chegar a ilha, de certo, houve um espanto misturado com um susto lúgubre em relação a aparência dos contagiados em estágio avançado, conta-nos Farrow que muitos deixaram de ter rostos, e no lugar dos olhos, haviam pus; no lugar do nariz, chagas abertas, infectas que se estendiam até os lábios apodrecidos. "As orelhas, inchadas até o dobro ou triplo do seu tamanho normal, pendiam como massas disformes ou se haviam corroído até quase desaparecerem. As mãos tinham perdido os dedos e alguns braços não passavam de cotos, os pés e as pernas eram igualmente repulsivos e os corpos da maioria dessas pobres criaturas estavam inchados aqui e deformados acolá, sem nunca preservarem a forma natural". Essa só foi a primeira impressão dos enfermos, as piores ainda estavam por vir, muitos não careciam nem de membros para poderem ficar em pé, pois já estavam comidos pelos vermes. As crianças e as mulheres sentadas à frente de suas cabanas sem rostos com uma vibração de extrema tristeza; as crianças só possuiam o tamanho para poder indicar que eram, mas na verdade, pareciam anões com rostos dilacerados e uma "solenidade pouco infantil". "As palhoças eram primitivas e ofereciam pouco abrigo, pois na sua maioria estavam feitas de ramos desgalhados apoiados uns nos outros, com uma desleixada cobertura de sapé". E não houve nenhuma recanto desta Aldeia que não foi visitado por Damião no mesmo dia de sua chegada. Palavras do Padre em uma de suas cartas: "Quase todos jaziam prostrados nas suas camas, em cabanas de sapé úmidas. O mau cheiro dos dejetos, de mistura com o fedor das feridas, era simplesmente esmagador,insuportável para um recém-chegado. Muitas vezes, nas minhas visitas a essas choupanas, tive de sair às pressas para respirar ar puro". Não demorou muito para o sarcedote perceber que grande parte dessa situação crítica era a falta crônica de água. Os habitantes não careciam de água corrente, e quando dispunham, raramente usavam-a para lavar suas cabanas, ou as chagas provocadas pela doença, pois a necessidade faziam que só dessem sua atenção à sede. Além de tudo careciam também da obra e graça dos que estavam menos atingidos pela doença a buscar a água, pois os locais que achavam água ficavam longe da vila e quando trazido eram em latas ou garrafas velhas.



"O sacerdote raciocinou que, onde havia montanhas altas, deveria haver também riachos ou fontes; como os nativos não sabiam dizer-lhe nada, decidiu explorar o lugar por conta própria, e acabou por descobrir um reservatório natural no fundo de um vale chamado Waihanau. Era um poço circular com mais de vinte e cinco metros de diâmetro, e uma sondagem rápida mostrou que tinha cerca de seis metros de profundidade; ou seja, era suficientemente grande para não se evaporar num período normal de estiagem."

Havia-se criado um cargo de "superintendente" na ilha ao qual era um leproso. Este era incenssamente persuadido pelo padre a bombardear o Ministério da Saúde quanto as reais e urgentes necessidades do povo enquanto ele mesmo gerava uma avalanche de relatório inplacáveis de queixas. Nas cartas o missionário pede que lhe fosse enviado canos, materiais de construção, remédios e um médico. O pedido foi negado, mas o sarcedote não desistiu e mais tarde vocês vão ver que nem mesmo diante da morte pensou se quer em parar de trabalhar tão avidamente pelo seu "povo". "O primeiro resultado da sua tenacidade chegou sob a forma de uma remessa de canos e adutoras hidráulicas trazidos a bordo da escuna Warwick. Não havia nenhum engenheiro ou mesmo encanador acompanhando a carga, mas Damião, vendo já em imaginação a água jorrando na aldeia, pouco se importou e foi de cabana em cabana à procura de homens suficientemente fortes que se dispusessem a carregar os canos e colocá-los em posição". Não foi fácil convercer os habitantes, mas não é difícil imaginar que a doença os deixavam descrente, apáticos e abatidos de tanta preguiça, mas conta-nos o escritor que era impossível negar a grandes discursos lisojeantes que o Padre recitava relatando-lhes a importância do trabalho. O padre também pediu ajuda aos marinheiros que vieram trazer a carga e com mesmo discurso conveceu todos que estavam a bordo, inclusive o capitão, que inclusive mais tarde, este capitão, após conhecer mais profundamente o sarcedote, será um dos maiores admiradores de Damião em que a amizade dos dois compõe uma linda parte dessa hitórioa real cheia de cores e de heroísmo". Bem-humorado, o Oficial deixou-se convencer, e pouco tempo depois uma turma de marujos armados de talhas e cabos ajudava os leprosos a colocar os canos em posição, enquanto o padre e o capitão, servindo-se da areia da praia como prancheta, traçavam os pla- nos para o novo sistema de água encanada". O padre supervisionou todo o trabalho e com suas próprias mãos colocava as enormes manilhas. A topografia do local era bem acidentada e Damião apenas contava com sua memória para orientar-se nos detalhes da construção. "Ao fim de alguns dias de esforço hercúleo, um jato ininterrupto de água fresca jorrava no meio da colônia, como demonstração irrefutável de que o sistema funcionava. Instalaram-se torneiras a distâncias regulares, ao alcance das cabanas, e os leprosos descobriram atônitos que dispunham agora de toda a água que quisessem, não apenas para beber, mas para todas as necessidades domésticas. De repente, as longas e cansativas peregrinações até à fonte tinham-se tornado desnecessárias, e uns olhares agradecidos e repletos de uma admiração nova começaram a saudar aquele missionário cuja caridade tinha aspectos tão surpreendentemente práticos".

Texto retirado do livro de John Farrow.

A NOVA VILA

Apesar do fracasso junto às autoridades, a viagem a Honolulu foi um sucesso. O bispo levantou fundos para a compra de ferramentas e material de construção, e até o Ministério da Saúde, submetido à pressão da opinião pública, acabou por enviar um carregamento de madeira.

As boas notícias que trouxe ao voltar a Molokai desencadearam uma onda de entusiasmo entre os leprosos. Todos os que tinham condições de trabalhar apresentaram-se para colaborar na construção da nova aldeia. Os homens, a muitos dos quais faltava pelo menos um membro, arrastavam ou carregavam a madeira para locais previamente roçados e carpidos pelas mulheres e crianças. Descobriram-se alguns colonos com conhecimentos de carpintaria, que da noite para o dia se encheram de brios e em pouco tempo encheram os ares com o som industrioso dos martelos e das serras. As novas cabanas eram sólidas e levantadas sobre fortes estacas, de modo a resistirem às tempestades; foram alinhadas em fileiras regulares e, à medida que se terminavam, iam recebendo uma mão de cal.

Esqueceram-se as tristezas e misérias sob a embriaguez do trabalho. Homens que se haviam resignado a esperar a morte numa inatividade patética revelavam agora um novo interesse pela vida, e em breve esse lugar, onde o riso fora esquecido e onde cada qual estava abandonado à sua própria sorte, enchia-se das gargalhadas das equipes de construção que se desafiavam mutuamente, para ver qual delas conseguiria acabar uma cabana em menos tempo.

Por fim, construiu-se também a sua própria casa, uma cabana de um único cômodo, como as outras. Com uma coragem que podia parecer temeridade, quis erguê-la nas proximidades do cemitério. Podemos perguntar-nos por que insistiu em escolher para si aquele lugar poluído, ele que sempre exigira para os seus leprosos abundância de ar puro e boas condições higiênicas; mas havia uma razão prática para isso, e era que passava boa parte do seu tempo ali, pois não somente oficiava os en- terros, como fabricava os caixões e desempenhava as funções de coveiro...

À medida que a aldeia foi adquirindo vida nova, o sacerdote passou a incentivar os moradores a cultivarem as suas hortas. Cada cabana recebia um pedaço de terra anexo que devia ser limpo e plantado com hortaliças e flores. Essas reformas e melhoramentos estenderam-se em breve à vizinha aldeia de Kalaupapa, que também fazia parte da colônia. Damião corria de uma para a outra, exortando e animando, para que a chama do entusiasmo não esmorecesse. Não fosse ele quem era, ter-se-ia deixado absorver completamente por essa atividade de direção administrativa, dispensando-se de qualquer esforço físico; mas, a não ser nos momentos em que atendia aos seus deveres sacer- dotais, ninguém jamais o viu sem um martelo na mão, ou uma plaina ou outra ferramenta qualquer. Calcula-se que colaborou na construção de nada menos que trezentas das primeiras casas da nova colônia.

Outro problema que teve de enfrentar foi o da alimentação. O plano original do governo era que os leprosos cultivassem a terra e produzissem o seu próprio alimento, mas, depois do desastroso fracasso dessa espantosa idéia, uma pequena escuna passara a levar à colônia, a intervalos irregulares, provisões que por ocasião do embarque estivessem disponíveis a preços baixos no mercado de Honolulu.

Ora bem, uma criteriosa seleção dos alimentos é essencial para o bem-estar de qualquer doente, mas em nenhum momento se fez qualquer esforço nesse sentido, além de que as quantidades enviadas costumavam ser clamorosamente insuficientes. Por outro lado, a comida muitas vezes era descarregada em botes deixados à deriva na esperança de que chegassem por si próprios à praia, e em mais de uma ocasião se "presenciaram verdadeiras tragédias: um bando de leprosos esfomeados tinha ác observar da praia, impotente, como a sua única fonte de suprimentos era tragada pelas ondas de um mar encapelado.

Essa era a situação quando Damião chegou a Molokai, e também neste campo a mudança não demoraria a fazer-se notar.

Graças às suas cartas, aumentou-se o volume dos suprimentos enviados e um vapor com escala regular passou a substituir as visitas ocasionais da velha escuna. Mesmo assim, o sacerdote nunca chegaria a sentir-se plenamente satisfeito com os resul- tados obtidos: até o fim da sua vida, esta seria uma das principais causas da sua infindável controvérsia com as autoridades. Cinco anos depois da sua chegada, continuava a clamar: "Mandem mais alimentos", e dez anos mais tarde ainda solicitava "o luxo de um pouco de leite".

Roupas, ligaduras e remédios eram outros tantos itens que constavam regularmente dos seus volumosos relatórios e pedidos. Muitas vezes teve de reiterar que os leprosos, cuja resis- tência já naturalmente se encontrava combalida, vinham morrendo não tanto por causa da doença como de outras infecções secundárias. Nesta frente de batalha, obteve a sua primeira vi- tória quando o governo lhe enviou uns suprimentos médicos básicos, suficientes para abastecer duas pequenas farmácias, uma em cada aldeia.

Com o tempo, puderam também vender-se na ilha umas roupas simples, e cada leproso passou a receber dos cofres pú- blicos a generosa pensão de seis dólares por ano para comprar um mínimo de roupa. Damião protestou contra essa quantia mesquinha, mas não pôde deixar de alegrar-se porque esse subsídio, por mais insignificante que fosse, marcava um novo ponto de partida. Junto com os donativos enviados pelo bispo e pelas freiras, essa verba permitiu que os leprosos deixassem de andar seminus e pudessem vestir-se com uma certa decência. Outra das reformas que teve em vista desde o início foi a do "hospital", um telheiro a ponto de desabar que na prática servia apenas como "depósito de moribundos": era lá que se abandonavam os leprosos sem família ou amigos, para morrerem como pudessem^ Damião reconstruiu o edifício, instalou catres, persuadiu alguns dos leprosos menos afetados a trabalhar como enfermeiros e ele próprio assumiu o papel de médico, lavando e vendando diariamente as feridas dos internados. É comovente
observar que até 1887, isto é, até dois anos antes da sua morte, reservou para si essa tarefa particularmente repugnante. multidão de coisas a fazer que continuamente lhe "puxavam da manga", conseguiu construir "mais uma capela na outra extremidade da colônia [em Kalaupapa], a uns cinco quilôme- tros de distância daqui". Como é óbvio, mais uma vez assumiu as funções de engenheiro, carpinteiro e peão de obra. Numa carta aos pais, escrevia: "Não me envergonho de fazer de pe- dreiro ou carpinteiro, se é para a glória de Deus. Nos dez anos que já passei nesta missão, construí uma igreja ou capela por ano. O costume que tinha aí em casa, de fazer um pouco de tudo, foi-me imensamente útil aqui".

As cerimônias litúrgicas tornaram-se uma espécie de evento social na colônia. Atraíam um número crescente não só de católicos, mas também de protestantes e não-cristãos, pelo es- plendor do rito e pela beleza da música; com efeito, além do seu significado religioso, constituíam a única fonte de entrete- nimento de que os leprosos dispunham. Reconhecendo a importância desse aspecto, Damião observava minuciosamente os detalhes do ritual, celebrava a missa com a maior solenidade, e a freqüência à igreja cresceu tanto que pôde escrever a mons. Maigret:

"Espero que Vá. Excia. Revma. se alegre de saber que, desde o momento em que o deixei até o dia de hoje, houve uma profunda transformação no estado de espírito desta população. Já por três domingos consecutivos mal vem havendo lugar na capela para os meus fiéis, cristãos e catecúmerTos. Ontem fui obrigado a pedir aos que assistem à missa diariamente que se colocassem do lado de fora, junto às janelas, os homens de um lado e as mulheres do outro. Mais de trinta pessoas ficaram lá fora, e mesmo assim o interior estava tão apinhado que praticamente ninguém se podia mexer.

"Cada semana tenho batizado de seis a doze neófitos. Além da missa, os fiéis assistem a umas reuniões que organizamos nas tardes de domingo para os doentes; nessas ocasiões, somente em Kalawao, quatro ou cinco residências ficam lotadas a ku mawaho, até transbordarem; são presididas pelos meus luna, os meus catequistas.

"Quanto a mim, depois da missa e dos batismos, tomo o desjejum e vou a Kalaupapa, onde tenho três reuniões diferentes: uma com os cristãos não-leprosos mais antigos do distrito, outra com os doentes que moram perto do ponto de desembarque e a terceira com os que moram na parte alta da aldeia; estes últimos são mais ou menos uns trinta. "Ainda não achei um momento apropriado para ausentar- -me da colônia. A visita semanal a todos os meus paroquianos doentes consome a maior parte do meu tempo. Na próxima semana, porém, espero poder visitar o resto da ilha, isto é, se já estiver curado de um pé que está um pouco inchado por causa de um ferimento. "É-me difícil dizer o que é mais urgente: por um lado, a capela de Kaluaha é absolutamente necessária, embora não saiba se poderei construí-la eu mesmo, porque teria de ficar muito tempo longe dos meus paroquianos moribundos de Kalawao; por outro, é preciso ampliar pelo menos em três metros a igreja de Santa Filomena, como os fiéis me têm pedido com insistência [...].
De um modo ou de outro, he mea lealea no u wa hana kamana, a verdade é que me agrada o trabalho de carpinteiro".

Efetivamente, esse era o seu único passatempo: os raros momentos de lazer que conseguia, gastava-os construindo molduras para janelas, portas e pequenas peças de mobiliário, que depois distribuía entre os que mais precisassem.

José Teles Andrade

Nota: Todas as fotos foram retiradas da internet.

quarta-feira, julho 11, 2012

Encontro marcado

Um pacote vazio
Não quer dizer "sem conteúdo"
E desistência
Não quer dizer "sem vontade"

Na esperança de voltar a me achar
Sou cercado por uma crise de meia idade

Não sou ancião
Mas são tempos de transição:
Do velho para o novo
Do mal para o bem
Do pesado para o leve

E nessa fase
As interpretações estão em contraste:
Em decisões sem ocasiões
Trabalho
Tarefas
Atarefado!

Assim, atordoado
E levado sem ser perguntado
Chego ao cume da consciência

Encaro-a bem
Ela me olha diretamente
No espelho d'alma
E diz: "Rapaz, tenha calma"

José Teles
12/07/2012


terça-feira, agosto 02, 2011

Nocturne

Se de todas as chagas
Consigo me curar?
O que vale é a ajuda do que puderam me dar

As mágoas de um coração posto na balança equivalesse com uma alma sofrida de anos celestes
Vem o medo, os efeitos de uma causa que não pode ser lembrada para o bem de um equilíbrio

A dor de esticar os joelhos logo chega à tona
A indigestão origina-se de uma culpa
A ignorância deixa de ser uma benção e começa a atinar
Como é difícil levantar
Esperar a morte da solidão, do sofrer por não poder multiplicar-se em mil

A beleza de uma nova fase confunde-se com hábitos antigos de um viciado
Impossível conciliar e atender um só pedido

José Teles
02/08/2011

sábado, junho 25, 2011

Desconfiado

Seja na luz
Ou nas sombras
Me sinto desconfiado
Por natureza!

Nas estradas
Arrasto meu peito de aço
Nos quebra-molas
Dessas incertezas!

Entre relações, analogias e sofismas
Com certeza
Sou um desconfiado
Por natureza!

José Teles
25/06/2011

terça-feira, maio 24, 2011

Bon Vivant

A mente é uma câmera filmadora
Ela grava os momentos especiais
Nessas gravações
Podemos rebobinar o quanto quisermos
E assim
Apreciamos cada detalhe desapercebido
De um dia revivido
 
José Teles

quarta-feira, abril 13, 2011

Maleável

Deixo minha cama e meu quarto
Para dormir do teu lado
Saio da naturalidade do meu lar
Para te acompanhar e lhe amar
Aceito a companhia dos outros
Pois é o único jeito
De te aproveitar

Nessa casa não dá para olhar as estrelas
Não há chão e nem teto
Mas, isso aumenta meu afeto
Por você!
Claro, somente por você!

Suporto tudo!
Até pastas e escovas de dente sem dono e em uso
A bagunça de um quarto
Ácaros no sofá
E sem a presença dele

Teu amor me transformou
De um neurótico a um Tuim
Que quer apenas voar
E cantar

José Teles
13/04/2011

quinta-feira, março 24, 2011

Novos Horizontes

O que faz parte dos seus dias?
Da sua vida?
Do seu humor?






Novas equações para a sua circunferência de amizades

Esta circunferência é sua vida
E o perímetro é a extensão das suas possibilidades
O diâmetro pode ser medido através de suas metas
O PI é a constância da força de vontade em manter a meta
E a área pode ser medida para você poder se localizar

E o que é você dentro desta circunferência?
O círculo?
O vazio?

Dê uma reviravolta
Enxergue
Os pinos de boliche
Você pode acertar
Como também pode errar
Você tem duas chances
Novos horizontes

José Teles Andrade
24/03/2011

terça-feira, março 22, 2011

Sem chão

Não espere!
Não alimente seus complexos!
Nunca perca o sono!

Observe o trilho
Dentro de um milharal
Na procura de um grão
Que brote
Amadureça
E que traga satisfação
Paciência
Segurança

Oh céus
Vergonha
A estética é tudo
E este peixe fora d'água não tem nada!
Apenas sede de confiança
E carisma

José Teles
22/03/2011

quarta-feira, março 09, 2011

Meus livros

Aos poucos vou seguindo seus passos
E em pequenos e breves espaço-tempo

Quando se tem espaço
Tem-se pouco tempo
Quando se tem tempo
Tem-se pouco espaço

Mas fico de acordo com esse modernismo
E continuo a sorrir entre meus desejos e compromissos

Ao correr, logo tem-se a dor nos pés
Nas pernas e joelhos
Abre-se um espaço para queixumes

E com a postura de um aprendiz
Abre-se um tempo
Assim, sigo suas palavras
E sem me cansar
Profiro essa analogia
De que elas são como melodias em forma de cores e variados cheiros
Que enchem um coração antes vazio e sombrio

09/03/2011
José Teles Andrade

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Perfume

As cores ressaltam do perfume
Dá para perceber o malabarista se equilibrando novamente
E assim, a busca continua
Pelo salto da criança

O cheiro de café tranqüiliza
Os livros na cabeceira dão esperança
E os biscoitos estão na espera de serem molhados pelas mãos que acaricia
Virtude sublime

Os conflitos são sanados pela sede de quem há tem
Alvo incessante de liberdade
Efeito que perfuma
Conforta nos braços de um grande amor

José Teles
11/01/2011

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Levo comigo

O gosto do chocolate com avelã
Correr na chuva
Ser bem recebido por quem te ama
Os solos de David Gilmour
As poucas oportunidades de ver um arco-íris
Uma cerveja bem gelada em um dia bem quente
Ler, descobrir, chorar sozinho
Sentir o interesse em sua criatividade
Trabalhar em equipe
Prosear durante horas em um local perto da natureza
Banho de cachoeira
Ah, sentir amado por amigos, pais, esposas, namoradas, namorados, cachorros, periquitos, vizinhos...
Descascar a pele depois de longos dias de sol
O banho de mar
O abraço sincero
O show divertido e executado perfeitamente
Um cafuné
Arrepiar
Chorar de alegria
Redescobrir a felicidade
A paciência de dias tristes
A mágoa transformada em compreensão
Um bom vinho com queijos e um violão
Os solos de John Coltrane
O carinho recebido
Sinceridade
Desarmar
Ser desarmado
Horas de música e cervejas geladas
Orações em harmonia
Momentos de destreza e lucidez
Criar melodia, letras e tentar aprender a cantar
O aconchego de um grupo, lar, amigos, irmãos
Passar horas a fio gravando músicas no estúdio
Pesquisar timbres
Aflorar a sensibilidade
Compartilhar algo que ama
Devanear
Estudar
Se livrar do medo

segunda-feira, janeiro 17, 2011

A história de Padre Damião


Jozef De Veuster que se tornou Padre Damião ou São Damião de Molokai nasceu no dia 3 de Janeiro de 1840, na Bélgica, e morreu no dia 15 de Abril de 1889, com o corpo e o rosto desfigurados pela lepra. Declarado bem-aventurado pelo papa João Paulo II e santo por Bento XVI, a figura deste missionário continua suscitando perguntas sobre a radicalidade de sua entrega.

Enviado para o Havaí, Damião deixa o porto de Brema, na Alemanha, em 1863. Distribui seu retrato aos familiares, sabendo que nunca mais iria revê-los, e carrega consigo somente um pequeno crucifixo, único companheiro de sua vida missionária. A entrega total de sua vida a Deus e à causa missionária começa já neste momento da saída definitiva, para não voltar mais. A missão é sempre um caminho sem retorno. Arrebatado pelo amor de Jesus, o missionário vive completamente pelo Reino. Quando, em 1873, o bispo Maigret convoca os missionários e revela sua preocupação e dor pela situação de miséria e abandono em que se encontravam os leprosos na ilha de Molokai, Damião se oferece, como o primeiro, a pisar naquela ilha maldita. A lepra, naquele tempo, era um verdadeiro terror para todos.


Quem se contagiasse deixava de fazer parte da sociedade civil e era totalmente segregado. Os leprosos daquela área eram obrigados a procurar Molokai e viver como animais, até a morte. Damião chega à ilha no dia 10 de maio de 1873. Um grande grupo de leprosos aproxima-se e ele não hesita em apertar a mão de cada um. Bem cedo, torna-se a única esperança daqueles pobres. Ama-os e identifica-se com eles. Começa sempre seus discursos com as palavras: nós, leprosos. Ainda não sabe que, mais tarde, isso será realidade também para ele. Ajuda a organizar a comunidade dos leprosos e a garantir-lhes uma dignidade.

Esta completa dedicação faz-se amor sem limites. Compartilhando a vida dos excluídos, luta para que não vivam como animais. A dedicação faz o missionário solidário. Morre leproso e abandonado com seus amigos leprosos.

Curiosidades

Para ambas comunidades latina e oriental da Igreja Católica, Damião é venerado como santo, cujo é sagrado e digno de veneração pública e invocação. A comunidade anglicana como outras denominações do Cristianismo como o Espiritismo, Damião é considerado o Pai dos hansenianos. Santo Patrono da Diocese de Honolulu (Havaí), é celebrado o dia do Padre Damião, 15 de abril. Após sua beatificação pelo Papa João Paulo II em Roma no dia 4 de Junho de 1995, foi concedido um dia de festa memorial ao abençoado Padre que é celebrado no dia 10 de Maio, data da sua chegada na Ilha de Molokai.

Em 2005, Damião foi homenageado com o título de De Grootste Belg, escolhido como "A melhor pessoa Belga" ao longo da história do país em pesquisa realizada pelo serviço de radiodifusão do público flamengo (Holandês), VRT. Ao mesmo tempo, ele ficou em terceiro lugar como "A melhor pessoa Belga" pelo canal de televisão francês RTBF.

Há instituições de combate a hanseníase na Irlanda como Blessed Society Damien (Comunidade Abençoada Damião).

O ministério de Damião em devotamento aos hansenianos foi exemplicado como a sociedade deve agir aos portadores da doença HIV/AIDS. Muitas clínicas e centros de tratamento desta doença carregam seu nome. Existe uma capela que é intitulada pelo seu nome; é dedicada as pessoas que tem AIDS na cidade Hollywood (Estados Unidos) . Segue foto abaixo da imagem de Padre Damião na Igreja St. Thomas the Apostle Hollywood na Califórnia






















Padre Damião é considerada uma pessoa importante na história do Havaí. Abaixo segue uma foto da Estátua de Padre Damião e uma réplica dessa estátua e exposta no National Statuary Hall Collection no Estados Unidos.

















Padre Damião pode ser visto nessa foto abaixo com as garotas do Coro Kalawao em 1870.

Também há um filme sobre a vida de Padre Damião, segue o link para a compra do DVD no submarino: http://www.submarino.com.br/produto/6/21345395/damiao,+o+santo+de+molokai?menuId=766#A1

Sinopse

Este filme tem como cenário o lindo arquipélago do Havaí, no Pacífico Norte. Molokai é uma ilha, isolada do resto do arquipélago, que na época era destinada às pessoas que contraiam a lepra. Ali elas ficavam isoladas até a morte. O filme narra a verdadeira e emocionante história de Padre Damião, jovem sacerdote belga, que dedicou a sua vida aos leprosos na ilha de Molokai. Com fé e amor, Damião levou o conforto da religião aos necessitados, além da certeza de que a solidariedade e a compreensão são um terreno fértil onde germina o respeito à dignidade humana. O padre Damião nos mostra que o amor não conhece obstáculos ou fronteiras, mesmo em condições precárias com pessoas mutiladas e destruídas pela lepra.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Necessita-se de um copista

Por acaso, sabe de algum egípcio copista?
Ou melhor, um egípcio copista que já tenha um papiro adquirido?
Ou um amanuense?
Que seja um escravo legítimo da Roma Antiga?
E que já tenha o seu pergaminho conquistado?
Tem algum monge copista por aí?
E que já tenha obtido o seu papel?

Alguém aí tem uma máquina de xerox?

Vocês tem aquela gravação ao vivo daquela música do Pink Floyd?
Pois é, eu não sei o nome
Só queria copiar

Indivíduos do fórum virtual
Atenção!
Já foi feita alguma tablatura da música "Ironia" da banda "Os Fulanos da Esquina"?
Preciso urgente!

José Teles
14/01/2011

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Incógnita

Nada é tão drástico como alguém dramático
Nas sombras da intolerância
Indiferença no sofrimento alheio

Embaralhado
Disparatado
Sem alvo

Falta empatia
Indiferença: sem conhecimento de causa
Dificuldade em aceitar

Convivência em compreender-se
Não há interpretações
Fuga de contextos

Não tente entender
Ninguém!
Nunca; não irá decifrar a incógnita que é o ser pensante

José Teles
20/12/2010

domingo, dezembro 12, 2010

Conceito de Família

Nós três na cama
Almas afins
Assim dá sentido à vida
É bem reconfortante

Horas de sono; assim a gente sabe fazer
E durante essa estadia
Abrimos um dos olhos
Verificamos se está tudo bem
Se o amor continua por ali

Logo acordamos
Conversamos
O domingo começa a fazer sentido
E por mais que não há um certo apoio
E nem de saberem do por que que a estrela que caiu do céu não é admirada por seu brilho
Dá um certo alívio, pois o sentimento de conspiração contra si mesmo, adormece por alguns instantes

José Teles
12/12/2010

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Cadê teu olhar?

Tu me fez cantar
Tu me fez crescer ao me elogiar
De repente o céu fica cinza
Fico triste sem o brilho do teu olhar

A vida fica sem sabor por não ter teu apreço
Nem há mais canções de um gosto peculiar

Me enganaste?
Era tudo mentira?

Festas, risos, caneta, papel e um violão
Sentados no chão
Só o que lembro
De uma época livre sem muitos grilos

José Teles
10/12/2010

terça-feira, novembro 23, 2010

Mix

Este blog virou uma espécie de analista de plantão.
Um alvo para meus tiros de insatisfação, recanto de um bosque, local de ensaios, um esconderijo.

Quem passou por aqui, deve ter percebido que sou um cara negativo, meio arisco, mas posso não ser nada disso do que pensas de mim e devido as minhas concepções que escrevi acima, descobri que estava usando ele unicamente para bater; eis o meu saco de boxe:

Eu não sou completamente EU, e nem sou o EU incompleto.
Agora imagine um pacote variado ou um caminhão de mudanças; algo heterogêneo, ou senão um cara de terno com um nariz de palhaço.

Ninguém é algo certo, ou razão por completo e nem emoção por completo. Você pode ser o oposto do que acredita ser e não acreditar ser o que queria ser. Está intrínseco; afinal; nós não somos o que somos e nem somos o que tentamos ser, pois somos a fórmula que vai se acumulando através de uma função matemática de resultados, e conforme estes, vamos nos adaptar, revoltar ou aceitar.

"Nós, homens do conhecimento, não nos conhecemos; de nós mesmos somos desconhecidos." - Nietzsche


José Teles
23/11/2010

domingo, outubro 24, 2010

A super máquina voadora

Uma visão desce da atmosfera, uma super máquina voadora, passa pela cidade de São Paulo, segue-se ao interior de Agudos, e como se tivesse vontade própria, pára e visualiza uma mansão branca espelhada; desce, desce, acha-se em uma sala, em uma mesa de jantar, observa as pessoas falantes, inquietas, e no meio delas, percebe-se uma quieta, imprópria, pálida e sombria, e como se desmaterializasse em mil peças, entra-se na mente desse ser e começa a interpretar seus pensamentos e as circunstâncias.

De Paulo vem a estranheza
Dos entorpecidos vem o trauma esquecido
Estão cegos, a ambição virou assunto na mesa de jantar

O ambiente era inabitável, agora é uma parceria de urubus no quintal
Seres sem afinidades alterando-se para encaixar em um suposto modelo de comportamento
De cima dá para ver ele os observando, mas eles não veem
Os observados nunca percebem o calor do olhar clínico que o sol os trazem queimando a pele

Paulo reflete, e vê que sua família não é tão ruim assim
Lembra sempre o que sua mãe repetia para ele; Filho, não veja a vida de outrem como melhor que a sua, pois cada um veio para este mundo com seu merecimento, sua afinidades e nem tudo que você vê, seja a realidade qual for, logo as máscaras das pessoas caem.

Paulo olha para Margarete, que é a funcionária da limpeza da casa, reflete, pressente de um olhar cansado, cabisbaixo, ela não era nem notada durante aqueles assuntos, ninguém prestava atenção, e nem ela neles, e Paulo enfeitiçado por aquele insight é perguntado por Laura se não estava mais com fome, se a comida não estava boa? Ele, sem jeito, responde educadamente, dizendo que estava uma delícia. Paulo era visto como um sujeito aéreo, esquisito.

Paulo comia, e a comida não tinha gosto, a vibração daquele local não estava boa, e assim, incomodado, não sentia o gosto da comida. Após o devotamento pelo alimento, todos desconversam e vão para seus respectivos lugares, tudo se tornou mais desinteressante. A super máquina voadora, sai da mente de Paulo, e como estivesse procurando outro lar para analisar, junta suas peças novamente e sai voando por este planeta.

Texto de José Teles
24/10/2010